terça-feira, 2 de abril de 2013

Leia parte da entrevista de ator ipanguaçuense ao Novo Jornal

Tratorista bom de briga.

JOÃO FÁBIO CABRAL, ATOR E AUTOR DE PEÇAS TEATRAIS DE IPANGUAÇU, CHAMA ATENÇÃO POR UMA PONTA NO NOVO FILME ESTRELADO POR WAGNER MOURA, A BUSCA, MAS JÁ TEM MUITA BAGAGEM NOS PALCOS PAULISTAS
Pouca gente sabe, mas o tratorista que troca sopapos com Wagner Moura em seu mais novo filme é potiguar. João Fábio Cabral tanto bate quanto apanha em A Busca, dirigido por Luciano Moura, que estreou nos cinemas de todo o país no último dia 15 de março. Somente em Natal, mais de 4.500 pessoas haviam assistido ao filme em um dos cinemas da cidade até o último domingo. A conta inclui os familiares de Fábio, que se deslocaram de Ipanguaçu para ver o parente na telona. Faltou o fã número 1, Seu Beruca, o pai do ator, que só viu algumas cenas da produção na TV, e quer combinar outra caravana a Natal para ver o filho em alta definição.

Devoto de umbanda, solteiro e sem filhos, João Fábio Cabral, 39, nasceu no dia 17 de novembro de 1973, sob o signo do Escorpião com ascendente em Escorpião. Filho de pai soldador e mãe auxiliar de serviços, aos 16 anos, após concluir o ensino fundamental, mudou-se de Ipanguaçu para Fortaleza, no Ceará, onde foi perseguir o sonho de ser ator. Morou durante três anos com Ester, sua irmã mais velha. Mais tarde seguiu para São Paulo, onde viveu com a tia, e se formou em teatro pela Escola de Teatro Ewerton de Castro, em 1999.

João conta que o interesse pela dramaturgia surgiu ainda no interior potiguar, por meio da literatura, cinema, circos, e até novelas que via quando adolescente. Como sempre gostou de
dançar, seu avô o levava para ver as apresentações dos pastoris no fim do ano. Ele lembra com saudades das novenas típicas do mês de maio, da festa da padroeira da cidade e até da chegada dos circos. Na escola, participava do grupo de teatro e de todas as gincanas, onde se destacava por ser desinibido. “Minha mãe falava que eu ficava imitando os outros”, conta.

Com tantas referências, começou a escrever desde cedo e hoje já contabiliza mais de 50 textos – pelo menos 20 deles encenados em São Paulo e outras praças. Há 20 anos morando na capital paulista, possui um apartamento próprio, com 120 metros quadrados, no Bairro Bela Vista, próximo à conhecida Avenida Paulista. Durante o período na metrópole, chegou a morar com amigos, depois sozinho, e hoje divide o espaço com o irmão Judson Cabral, uma prima de Ipanguaçu e a afilhada Mariana, de três anos.

Mas, apesar de trabalhar na capital, sua residência fixa fica no litoral, em Ubatuba, pois conta que hoje prefere a calmaria à loucura da cidade, aonde vai apenas para compromissos de trabalho. “Hoje prefiro essa tranquilidade da praia, do litoral norte de São Paulo, e encontrei em Ubatuba o lugar perfeito”, explica.
Pai diz que ator puxou ao lado “desenvolvido” dos Cabral

Arquivo Pessoal

João Batista Cabral, 65, conhecido como seu Beruca, trabalha como soldador em Ipanguaçu desde 1971. O pai de João Fábio conta que o filho puxou ao lado “desenvolvido” dos Cabral. Intelectual desde criança, Fábio teve boas notas nas três escolas que estudou na cidade e, segundo o pai, sempre quis estudar fora. “Filho só puxa ao pai se ele for cego, porque a minha vida é mexer com ferro e meus dois meninos rumaram para a cultura”, brinca.
Apesar da distância, Beruca afirma que o filho sempre foi presente na família, ajudando sempre que preciso. Em sua última visita a Ipanguaçu, no natal de 2012, todos os filhos se reuniram para a ceia na casa do pai, que hoje mora sozinho com a esposa, dona Maria das Graças. “A gente começa sozinho e termina sozinho. Mas para mim meus filhos são a melhor coisa do mundo”.
A cabeleireira Fabia Cabral, de 41 anos, é uma das irmãs de Fábio. Ela conta que o irmão mais novo foi sempre cheio de astúcia, fazendo teatro, dança e futebol, tudo ao mesmo tempo. E quando Fábio resolveu sair de casa, a irmã lembra que toda a família – principalmente a mãe – não queria permitir, pelo apego familiar. Mas cederam por ser o sonho do jovem que, à época, já queria estudar teatro. 
Ela conta que hoje sente muito orgulho de Fábio, no que é acompanhada pelos conterrâneos, que sempre perguntam as novidades sobre o ipanguaçuense famoso. “Na cidade da gente todo mundo é deslumbrado com ele. Todo mundo sempre gostou dele, agora muito mais”, garante.
Após dois anos sem descanso, o artista potiguar resolveu se dar férias prolongadas na Europa. Desde o fim de março já conheceu Madrid e Málaga, na Espanha. Ele ainda pretende ir para a Holanda, França e “para onde mais o vento soprar”. 
Do aeroporto em São Paulo, antes de partir, ligou para Ipanguaçu onde seu Beruca atendeu: “No final desse ano, se você não vier, eu é que vou viajar”, garantiu o soldador.

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